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Projeto capacita mais de 640 mães refugiadas e migrantes e impulsiona empreendedorismo no Norte

Iniciativa “Mujeres Fuertes” oferece formação profissional, apoio financeiro e acolhimento a mulheres em situação de vulnerabilidade no Amazonas e em Roraima

12/03/2026 às 08h29 Por:
Projeto capacita mais de 640 mães refugiadas e migrantes e impulsiona empreendedorismo no Norte Foto: Divulgação

Mais de 640 mães solo refugiadas e migrantes já conquistaram oportunidades de geração de renda por meio do projeto Mujeres Fuertes, desenvolvido nas cidades de Manaus (AM) e Boa Vista (RR).

 

Criada em 2022 pelo Instituto Hermanitos, a iniciativa busca promover autonomia financeira e fortalecimento social por meio da capacitação em áreas como gastronomia e beleza.

 

A venezuelana Yizzell Carolina Mejías Briceno, de 38 anos, é uma das participantes. Após deixar a Venezuela por causa da crise econômica e social, ela chegou ao Brasil há oito meses e encontrou no projeto uma oportunidade de recomeço.

 

Sem emprego e rede de apoio, Yizzell conheceu a iniciativa pelas redes sociais e decidiu participar da formação. Segundo ela, a experiência foi fundamental para iniciar sua trajetória profissional no país.

 

O projeto oferece cursos profissionalizantes, oficinas de empreendedorismo, educação financeira, orientações sobre direitos trabalhistas e direitos da mulher, além de atividades voltadas ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

 

Ao final da formação, as participantes recebem apoio financeiro e kits de equipamentos para iniciar seus próprios negócios e gerar renda para suas famílias.

 

Outro diferencial é a estrutura de acolhimento durante as aulas: as mães podem levar os filhos, que ficam em um espaço dedicado a atividades educativas e recreativas com acompanhamento da equipe da instituição.

 

De acordo com o diretor-presidente do Instituto Hermanitos, Túlio Duarte, a proposta vai além da qualificação profissional.

 

Segundo ele, muitas mulheres enfrentam desafios como barreiras linguísticas, falta de rede de apoio e dificuldades financeiras. Por isso, o projeto trabalha também o fortalecimento emocional e social das participantes.

 

Desde a criação, a iniciativa já beneficiou 646 mulheres, sendo 447 em Manaus e 199 em Boa Vista. A maioria das participantes é venezuelana, incluindo indígenas das etnias Warao, Pemón, Karinã, Arecuna e Wayuu.

 

O impacto do projeto também alcança familiares e comunidades das participantes. Ao todo, cerca de 2.236 pessoas foram beneficiadas de forma indireta.

 

A supervisora do projeto em Manaus, Maria Belisario, destaca que a formação provoca mudanças profundas na vida das participantes.

 

“O que fica não é apenas o que foi aprendido, mas o que cada mulher descobre sobre sua própria capacidade de recomeçar”, afirma.

 

A iniciativa conta com recursos de reversão trabalhista do Ministério Público do Trabalho (AM/RR) e apoio do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, da ACNUR e do Sebrae Amazonas.